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17 de agosto de 2013

Sonhando Acordado


Gracielle Soares
Acadêmica de Jornalismo
Outro dia tive um sonho estranho, eu estava em 1964. O golpe militar tinha acabado de derrubar o presidente João Goulart, e instalado a ditadura no Brasil. Eu usava roupas “antiquadas” e mantinha uma barbinha que não era minha. Estudava em uma escola pública e tinha uma vida bastante conturbada no meio disso tudo.
No sonho vi uma multidão de jovens, assim como eu, gritando pelas ruas. Eles gritavam palavras de ordens até ficarem roucos. Era a luta por um Brasil de eleições diretas, tinha gente de todos os setores da sociedade. Um pouco mais distante, outra multidão podia ser notada, todos estavam com a cara pintada com as cores do Brasil, amarelo e verde; as cores da revolução. Pensei que fosse ano de copa do mundo, mas logo percebi que a luta ali era outra, não era uma comemoração de gol do Brasil. Os cartazes não eram de ídolos do futebol nacional, eram reivindicações deles, minhas, de toda a nação.
Achei tão bonito aquilo, mas ao mesmo tempo tão longe da minha realidade, da minha época, acho que seria inimaginável ver a minha geração lutar daquele jeito, gritar daquele jeito, ir as ruas daquele jeito. Afinal, nós somos a geração “Zuckeberg”, e nos acostumamos a gritar sim, mas no silêncio dos caracteres, EM LETRAS GARRAFAIS. Enquanto aqueles estudantes formavam uma resistência contra o regime militar, expressando-se por meio de jornais clandestinos, músicas e manifestações.
A minha geração jamais se submeteria à agressões que aqueles jovens estavam recebendo somente pelo fato de se manifestarem. Vi do meu lado, nesse sonho louco, um jovem sendo agredido pela polícia. Ele caia ensanguentado, mas não parava de gritar, de se impor. E isso, jamais aconteceria com a minha geração.
Então acordei. Estou novamente em 2013. Que confusão! A televisão mostra milhares de estudantes se manifestando, gritando, reagindo, igualzinho no meu sonho. O que aconteceu? Fiquei confuso, será que a programação continuou a daquela época? Levantei e fui até a janela. De lá vinha o som de milhares de pessoa gritando seus direitos. É realidade!!! É a minha geração de pé, formando um exército de batalha a favor dos direitos do cidadão. Assim como eu, a minha geração acordou!

21 de novembro de 2011

Letras: o passado como referência

Graziely Moessa, acadêmica do 6º sem. de Jornalismo
Estava pensando no tempo. É engraçado se compararmos as coisas em cada tempo de nossa vida, tudo terá um valor diferente. Trinta anos, para uns pode ser pouco, para outros muito.  No Brasil, em 30 anos muita coisa mudou: da ditadura, hoje vivemos em um país democrático, as nova descoberta científicas apontam cura para doenças e o desenvolvimento tecnológico mudou a dinâmica da vida.
Para a UFMT, em Barra do Garças, 30 anos é uma vida. Foi em 1981 que a Universidade Federal de Mato Grosso iniciou sua expansão para a região do Araguaia, com criação de dois cursos: letras e ciências. Entre os pioneiros, duas jovens sonhadoras das primeiras turmas de letras, que viveram intensamente esse tempo, nos ajudam a contar a história. São elas: Maria Claudino da Silva, que hoje é professora da UFMT e a técnica administrativa Dalva Sabino Nunes.
O tempo e a pressa
`TRIIIIIIIIIIIIIM...´O sinal tocou.
Toc, toc, toc, toc, pac, pac. Passos apressados dos alunos para ir a outro espaço para assistir a próxima aula.
Essa foi a realidade inicial. Nos primeiros anos do curso de Letras os alunos faziam verdadeiras maratonas para ter uma sala de aula fixa. Era constante o vai e vem de uma escola para outra. As aulas iniciaram na escola Gaspar Dutra, depois a sede foi à escola Francisco Dourado, e também partes na escola São João Batista. “Até no antigo mercado municipal tivemos aula”, recorda uma das primeiras alunas Maria Claudino.
Hoje a Universidade conta com dois campi, com mais de 60 hectares cada, com salas novas divididas para todas as turmas existentes. Mas, o tempo é outro.... e as expectativas também. O máximo de pressa que o aluno tem agora é para que chegue logo o intervalo ou que a aula termine.
A tecnologia e o professor
- A luz acabou - diz um aluno.
- Vamos acender uma vela, e dar sequência a aula, completa o professor.
 Assim, era naquele tempo, não tinha essa desculpa para não ter aula. O professor já acendia uma vela ou tirava um lampião da bolsa e a aula continuava. As dificuldades eram inúmeras, mas todos estavam ali para estudar e se empenhar. Os professores que começaram com o curso, estavam ali construindo um caminho e com frequência ensinavam além dos conteúdos do curso. Professores que faziam e fazem jus ao nome professor, com o compromisso com o aluno. Hoje temos no quadro de professores a maioria mestres e doutores, mas será que somente isso que precisamos? “Os alunos reclamam muito da falta de compromisso de alguns profissionais, da vontade do curso ser melhor a cada dia e da falta de diálogo de professor-aluno”, afirma a professora Maria Claudino.
Hoje a estrutura física é melhor. “Para quem viveu naquelas situações hoje estamos no céu”, destaca Maria Glaudino. O mimeógrafo (era uma “geringonça” para fazer cópias de papel escrito em certa escala) e o retroprojetor eram novidades espantosas, o giz e o empenho do professor eram suas principais ferramentas para o ensino. Atualmente muitos professores ficam impossibilitados de dar aulas se não tiver um datashow dentro da sala. Para datilografar (escrever textos em teclados de uma máquina de escrever) era uma dificuldade. Hoje em dia laboratórios de informática estão equipados com computadores para atender todos os acadêmicos, destaca Dalva Sabino.
O estudante
Atualmente, a Universidade oferece bolsa permanência, monitoria, auxílio alimentação, moradia, muitos incentivos para que o acadêmico continue estudando. No começo era só a coragem e a vontade de progredir, declara a ex-aluna Dalva. A primeira turma de Letras iniciou 35 estudantes e formaram apenas 10. Hoje são muitos e muitos que se formam.
Na primeira turma de Letras, estudar era uma grande batalha, hoje é uma batalha para que um aluno estude. Aquele tempo fazer um curso superior significava uma conquista. Agora fazer um curso superior tem sinônimo de “Ah vamos vê o que acontece”. Estudar letras naquela época era desejar ser um bom professor, auxiliar os alunos; hoje para muitos, ser professor é martírio.
O tempo passou... foram 30 anos de UFMT no Araguaia, com muito barro, poeira, isolamento, raios, falta de luz e telefone, falta de transporte, poucos professores, infraestrutura precária... Dificuldades imensas que marcaram a batalha dos pioneiros e aos poucos foram e vão sendo, superadas pela dedicação e força de vontade em estudar, ensinar e construir um futuro melhor. Mas, e nós hoje: O que esperamos para o futuro? Como será lembrada a Universidade daqui 30 anos? Muitos problemas continuam, mas com muitas dificuldades já superadas, a luta agora é pelo o comprometimento e empenho de professores e acadêmicos para continuar a enfrentar os desafios em melhoria do ensino superior.



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Texto e charge: Graziely Moessa

18 de dezembro de 2010

Crônica: Desafio ao Amanhecer

Tuili F. Ferreira
Seis horas. Confesso que não é fácil despertar. Estava invadido por sonhos confusos, heterogêneos, utópicos e encantadores.  Arrasto-me até o banheiro com a toalha no ombro. No caminho, tropeço em tênis, roupas sujas, copos, pratos, que meus amigos insistem em não colocar no lugar.   
Apoio-me na pia, que deixaram imunda pra variar, e ao mesmo tempo tranco a porta. Vejo meu rosto amassado e desanimado refletido, abaixo o olhar e vou para o chuveiro. Sinto a água quente descer pelo meu corpo e meus sentidos começam, finalmente, a despertar. Pego a toalha e a enrolo na cintura, paro novamente diante da pia, escovo os dentes, checo que minha aparência melhorou  e penteio o cabelo - tem sido um desafio deixá-lo como eu gosto.  
Ao sair do sagrado banheiro, dou uma procurada rápida em algo para comer na cozinha, busca inútil, ninguém foi ao mercado. Olho para o relógio! Estou atrasado, já são seis e trinta e cinco.  O jeito é lanchar pela cantina da faculdade mesmo. Visto a primeira roupa que vejo pela frente, passo desodorante, mas o perfume não achei. Pego meu material que está todo espalhado pelo quarto, coloco na mochila, já abarrotada de coisas inúteis e saio porta afora, quase levando metade da casa com minha pressa. Ando três quarteirões até chegar a avenida principal que da acesso a minha luta diária de todos os dias. 
Ando em direção a minha conquista mais recente: a Universidade Federal do Mato Grosso, Campus II. Eu achava que passar no vestibular era a coisa mais difícil do mundo. Mal sabia eu que ir e voltar da faculdade todos os dias seria minha preocupação permanente. Caminho até chegar num ponto de ônibus que usamos como ponto de carona. O suor começa a me incomodar. Chego perto dos outros alunos que lá estavam, tiro minha mochila das costas, a coloco apoiada nas pernas e pego meu caderno, viro a contra capa na qual está escrito UFMT e seguro mostrando-a aos motoristas que passam.  
Enquanto, nós, naquela pequena aglomeração de estudantes, estamos ali, esperando que uma pessoa solidária pare e nos leve ao nosso destino, as responsabilidades que eu tenho para serem realizadas naquele dia invadem meu cérebro, me vem uma sensação de culpa, e a minha maior vontade naquele momento é o colo da minha mãe. Lamento por não ter nenhum conhecido para eu ficar conversando na tentativa de espantar pensamentos que me perturbam.  
Dia de sorte, fiquei no ponto mais ou menos quatorze minutos, entrei no Escort prata, sentei  e guardei o caderno mais útil de todos os tempos. Perguntei ao motorista onde ele iria, porque não o conhecia da faculdade - devia ter uns trinta e pouco, tinha pele morena, cabelos cacheados e era grande, tinha aliança de casado, me parecia um homem sério. Ele me disse que estava seguindo viajem para uma cidade vizinha. Durante o silêncio do percurso fiquei entorpecidamente grato aquele homem. 
O carro parou, desci rapidamente, agradeci a carona, desejei-lhe boa viagem e me virei em direção a cantina. Devorei dois salgados, tomei um refrigerante e disparei para sala de aula. Mas, durante o caminho para a sala de aula não consegui deixar de me perguntar como será amanhã.